"Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida."(C. L.)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Me esquecendo um pouco...

Me esquecendo um pouco, deixando de lado o problema Eu. É difícil por vezes ignorar o seu próprio, mas é preciso para o destravar. Parece uma energia que bloqueia qualquer reação de vida, e isso é algo que vem de dentro. A culpa é toda do interior, pois é nele que o obscuro ganha forma e atinge o fora. Nessas horas, o esquecimento é chave para o tormento, e mesmo que dure segundos, tenho uma breve sensação de liberdade quando fujo de mim. Uma fuga desenfreada, perdida, atrás de do mínimo de respiração que eu possa encontrar. O mesmo Eu que libera é o mesmo Eu que encaixa. Mas é tudo ilusão rápida, que depois traz a verdade consigo. A verdade toda inibida em mim. A possibilidade bloqueada em mim. A ausência de chaves dentro de mim. É uma alucinação mesmo ser auto-inimigo, pois é uma traição própria, legítima. Vou dispensando enquanto posso esses bloqueadores, me esquecendo vez por outra para ao menos me sentir por alguns instantes, momentos sagrados de iluminação...

pablo braz

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Se eu pudesse...

Se eu pudesse ter o poder da salvação nas minhas palavras nos resgataria dessa tormenta emocional. Tiraria de vez essa nuvem que nos ofusca para ter um caminho limpo pela frente. Eu sei que é tanta explosão a cada hora que fica difícil se controlar. Sinto isso também. Mas, as vezes por covardia ou fraqueza, faço disso uma implosão. Você tem a coragem de romper para refletir, de mudar para renascer. Isso é fantástico, admiro sua capacidade de encarar as coisas de maneira legítima, afinal você é raro. Raro por me dar esperanças reais. Raro por me fazer contestar. Raro por me salvar. Você me tira o medo de amar e entrega a verdade. Faz milagres em meu sentimento, simplesmente estando aqui. É por isso que quero, desejo fortemente, ter palavras mágicas, redentoras, libertadoras para te salvar também. Eu te salvo, tu me salvas, nós nos salvamos. Em cada linha que sair desse lugar haveria de ter uma oração dentro, guardada só para teu alcance. Você leria minhas palavras como se fossem sagradas, intempestivas de felicidade e energia vital. Seria como um desenho dando vida ao seu personagem, que sai do traço para a batida do coração. Eu te desenharia como se fosse uma fênix, que ressurgiu em mim uma coisinha chamada amor-esperança...

(para F.)

pablo alencar

segunda-feira, 2 de maio de 2011

É tanta lembrança...

É tanta lembrança que insiste a sair a toda hora, junto com umas lágrimas também. No estômago uma queimação ferve, e no coração pontadas agudas. A garganta parece que vai travar, um fôlego de enlouquecer. O corpo não sabe se vai ou se pára. A somatização da saudade é potencialmente sintomática, pode crer! Uma impaciência percorre a sua calma, tomando forma de um pânico indistinto. Quanto mais pensa em afastar os pensamentos, mais eles cutucam seu coraçãozinho. Saudade poderia também se chamar Selvagem. Nem adianta chá de camomila ou erva doce, quando ela bate só quer saber mesmo é de bater. E dói viu. Uma dorzinha que nem quer ser dor, mas já nasce sendo. Livro, chocolate, filme, e besteiras virtuais, nada resolve. Respeitamos ela, dona da vez e da verdade. Como dizia Clarice, “Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença.” E quando não se pode comer a presença, o jeito é seguir sobrevivendo a pão e água. Eita saudade doida essa!

pablo alencar

quinta-feira, 17 de março de 2011

Eu queria mesmo...

Eu queria mesmo era acordar em outro mundo. Dormir, dormir, dormir, e quando despertasse me sentir igual mas em um ar de diferença. Acordar e ver que não há mais sangue nos jornais e nem nos becos escuros. Acordar e perceber nenhum estômago mais se tortura por migalhas baratas. Acordar e olhar as pessoas com a cara limpa e peito aberto, sorrisos sinceros e comovidos. Acordar e saber que não vou competir pela minha vaga com os predadores ambiciosos. Acordar e desprezar aqueles alarmes odiosos de que é preciso levantar, trabalhar, estudar, ganhar, gastar e trabalhar mais um pouco. Acordar e receber aquele abraço de minha mãe que está a milhas distante daqui. Acordar e receber outro abraço de alguém que deveria estar na cama comigo. Acordar e ter a certeza de não preciso me camuflar daqueles que são os senhores da verdade e da moral, sentir não mais o medo e sim a liberdade borbulhando nas esquinas. Acordar e viver diante de um mundo que respira toda forma de amor, seja ela qual for, azul, verde ou rosa. Acordar e dizer: "agora posso ser". Mas, pelos meus cálculos sombrios, eu vou ter mesmo é que dormir, dormir, dormir e quem sabe, num dia perdido, eu resolva acordar...

pablo alencar

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Carta de um aprendiz...

Há quanto tempo te devo isso. Na verdade te devo muito mais do que imagina. Te devo uns mil sonhos passados, uns instantes guardados e uma bocado e tanto de palavras atrasadas. Caramba! Tinha me esquecido disso aqui! Por quê? Não sei, não me pergunte. Eu venho como um aprendiz, um bruto que se afinou de coisas boas trazidas por ti. Venho escrever uma carta relatada de muitos ensinamentos. Contigo aprendi que ser pontual não é chegar na hora marcada, é ser maduro o suficiente para não ter motivos de se atrasar. Aprendi que ser prático nem sempre é ser rápido e objetivo, é na verdade cortar as inutilidades da vida. Aprendi que ingenuidade de vez em quando é traiçoeira, é preciso desconfiar para sobreviver. Aprendi também que fugir é prisão, pois é preciso coragem, muita coragem para ser livre. Aprendi que guardar dinheiro é confortante, mas gastar pode ser maravilhoso. Aprendi que é possível comer as mesmas esfirras várias vezes e manter o saboroso delas, afinal a companhia pesa muito nessas horas. Aprendi que simples mensagens tem um poder revolucionário sobre nossas sensações. Putz! Aprendi muita coisa contigo! Aprendi que é melhor falar do que se calar dolorosamente, o silêncio pode ser um tanto perturbador...Podia ir além, aprendi mesmo a viver, a confiar, a dedicar, a entender, a escutar, a demonstrar. Aprendi a crer, a perceber o amor com olhos calmos e precisos de quem já encontrou o que sempre buscava. Aprendi a reaprender...

(para F.)

pablo alencar

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Falsamente...

Falsamente eu não minto. Digo sempre a verdade hipócrita aos sábios pseudológicos. Vou criando dentro do vazio um recheio de fantasia. Vou fazendo a festa aqui mesmo no porão. Cá estão dentro de mim o sim, o não e o senão. Se não fossem istos eu não teria sido aquilos. A comédia que me tira lágrimas é aquela feita com o coração. Brinco sempre de adulto porque a criança guardada em mim está ocupada com os sonhos. Sonho mesmo que não chegue no fim do arco-íris, pois sei que no meio dele há muita esperança para alimentar. Vou caindo no mesmo buraco, mas estranhamente o buraco vai caindo sobre mim. Aí nós dois ficamos equivalentes, eu e o buraco. E então deixo todas essas imaginações psique de lado e vou tratar é de dormir. Dormir também é viajar...


pablo braz

Ainda não consegui...

Ainda não consegui achar aquele ponto crucial onde as minhas palavras se existem como livres. Toda essa minha escritura anda presa ao intrincado, ao mais enrolado dos rolos de papel. Destrinchar essa escrita pesada é tarefa difícil. Aguardo o dia em que vou poder respirar aliviado enquanto escrevo. E esperando sentado o momento dessa magia textual, vou engolindo os sapos prolixos do contra-objetivo, da contra--fluidez, da contra-clareza. Oh Senhor! Liberte-me dos adjetivismos cruéis! Dai-me os substantivos para eu devorar! Perdoa todos os meus pecados pleonásticos e redundantes! Abaixo ao edema literário!!!...

pablo braz

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Eu poderia buscar...

Eu poderia buscar em dicionários longiquos palavras corretas para te nomear. São tantos adjetivos soltos que caberiam perfeitamente em seu retrato que fica difícil definir um. Mas existe um desses tantos que me faz te trazer até mim. Se eu pudesse te batizar te daria o nome de raridade. Essa simples palavra traduz plenamente com te percebo. És a raridade que eu preciso para me tornar legitimo, e essa equivalência do teu raro com o meu raro é que nasce esse amoraro, essa extinção sentimental que considero concreta. É incrível como tudo que povoa teu espírito exala esse aroma raro; tua dedicação a mim, tuas palavras contidas mas exatas de sentimento, teus olhos marcados de esperança a mim, teu abraço de conforto, são só alguns reforços que conduzem ao teu preciosismo. Cada movimento teu perante a mim é moldado na preocupação do estar bem com o outro, essa tua presença exponencial em minha cotidianidade me traz de volta algo tão raro quanto você: acreditar na ligação natural entre duas almas dispostas a se amar, crer que é possível encontrar uma conexão quase telepática entre dois sujeitos que entre si já se justificam. Essa raridade existe, e eu posso, sem hesitação, declarar...
(para F.)
pablo alencar

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A maldição de sentir o abstrato...

A maldição de sentir o abstrato como sendo real também faz parte do meu ciclo diário. Já acordo imaginando seu cheiro nos lençóis como um tipo de impregnação que perfura meu olfato acostumado somente aos aromas de poeira e solidão. Solidão também tem cheiro, um cheiro fraco mas fatal. Vou ao espelho, pois preciso molhar a face com água fria para saber que existe vida além daqueles lençóis prisioneiros da verdade. No espelho penso em ti como sendo eu, penso em nossos rostos trocados por um momento e vejo que não há diferença alguma na mudança. Somos únicos e exclusivos dentro de nós. Somos como um brinquedo que desmontado resulta no mesmo brinquedo já arrumado. Preparo um café terrível, pois sou péssimo em cafés, e ele sai meio amargo e meio doce, meio forte e meio fraco, mas o que me importa é o efeito que ele me causa. O café provoca em mim o mesmo que você desperta: uma injeção de vitalidade e força, coragem e fé, para encarar um dia de incertezas e imperfeições. Seu amor e a cafeína são a equação exata para meu florescimento, são como duas chaves essenciais para abrir meu princípio de reconhecimento e vivacidade. A diferença cáustica entre você e o efeito adrenérgico da cafeína é que essa perde sua estimulação em poucas horas e se faz preciso outra dose de café para ressuscitar; já o efeito estimulante de seu principio ativo no meu organismo, a tal substância que deriva de você e se incorpora em mim, só tende a aumentar como uma escala exponencial que nunca culmina num ponto de tranqüilidade, nosso sentimento não se minimiza como uma xícara de café temporária e limitada. Somos o inexplorável e o interminável dentro da caixa de segredos chamada esperança...

pablo alencar

domingo, 24 de janeiro de 2010

Queria não sentir isso...

Queria não sentir isso. Isso de sentir o sentimento desse sentido, esse sentido todo que parece com o improvável, o indefinível, o etéreo senso de despedida. Há algo que sempre permanece quando isso vai embora, mesmo sabendo que há chance de retorno. Eu sinto isso como parte da minha quase-felicidade de ter estado contigo. Esse vazio construído depois da despedida se transmutou numa espera caótica do nosso improvável reencontro. Teus olhos infantis às vezes acusavam uma pequena instabilidade, mas procurei descartar qualquer hipótese de incerteza sua, e busco sempre tirar da dúvida o abraço preciso da esperança. A esperança, essa coisinha mágica que surge nas últimas horas do desespero, é que faz a roda da fantasia continuar. E eu não queria ter perdido nenhum pedaço dessa esperança que me é tão rara como a sensação de ter estado em sintonia aguda com alguém tão solto nos pensamentos. Espero seguir com a esperança junto da minha inconstância, uma equilibrando a outra para que não se cometa um derrame emocional no meu espírito, mesmo sabendo que é inevitável a qualquer momento que essa pulsão sentimental se exploda em um desejo perdido...

pablo alencar

sábado, 9 de janeiro de 2010

Sempre que necessário...

Sempre que necessário é bom se dissecar um pouco, ver cada nervo de verdade e cada músculo de interrogação que descansa sobre a nossa anatomia psicoalucinada. É quase toda de alucinação que formamos nosso auto- retrato. Por isso, esse mergulho dentro dessas viagens internas é fundamental para avaliar a tolice da qual adoramos praticar. Temos medo do cubo do reconhecimento pessoal, pois ele dói tanto que nos grudamos ao comodismo do sorriso fácil e descartável. Estou caindo de fato na realidade de que muita coisa em mim merece ser enlatada urgentemente, há lixo alegre e falso que deseja um bom depósito de vergonha e reciclagem. Os tempos de reciclagem podem demorar a surgir, mas quando se soltam vem com toda a velocidade de uma opinião sincera que quase sempre nos falta. Vou aproveitar esses segundos raros de onipotência emocional para liberar essas minhas sinceridades nuas. Nunca esqueçamos essa vontade impulsiva de tirar a roupa da ilusão e ficarmos nus diante do sexo selvagem do verdadeiro. Desculpem-me, mas agora estou indo. Há muitas peças para tirar fora. Há muita coisa para explorar no meu corpo descascado. Há pessoas me esperando para lhes revelar reticências que pulsam em mim. Aahh, essas reticências pulsantes!!!...

pablo alencar

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Resolvi passar...

Resolvi passar um momento de inércia emocional para com esse meu confessionário de soluços e dramas. Não que não tenha acontecido nada que alcançasse a força de ser sentida e exposta como um corte que lateja, mas apenas precisava do silêncio forjado para a reconstrução desse corte inútil. Por isso digo que nenhuma palavra sairá desse tempo de confusão que nasceu e morreu em mim durante esses últimos meses. A única coisa de fato que caracteriza essa turbulência seria o inexplicável, o indefinido, o sentido congelado. Vou ficar com o bruto silêncio do incompreendido e com a leveza do esquecimento que consegui crescer. Sigo agora limpo e tranqüilo depois que tomei a consciência necessária que me era útil para o meu fortalecimento e coragem. Era isso que me faltava demais: coragem. E com a coragem adquiri a força, e com a força consegui a construção, e com a construção criei a identidade. Com essa pude ver certos escuros que antes desconhecia. Acendi a luz e agora corro na direção do real. Podia definir toda essa parafernália prolixa que escrevi em uma só palavra: iluminação. O que eu precisava era somente de luz. Luz, luz, luz...

pablo alencar

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Paralisei indesejavelmente...

Paralisei indesejavelmente aqui diante dessa tela viva e racional. Nada me surge na consciência nesse momento para jogar nessa válvula de escape. Na verdade não há falta de sentimentos ou emoções presentes em mim, existe sim justamente o oposto do vazio inspirador de escrever, existe a transbordância de intimidades que dariam para preencher qualquer lacuna solitária em um diário perdido no meio de um quarto de roupas sujas e livros velhos. Mas às vezes sinto uma dificuldade extrema de caminhar para fora desse quarto e vir até esse esconderijo aqui e eliminar dentro dele todos os meus vulcões internos. São tantos detalhes para explodir que simplesmente não consigo canalizar algo concreto que possa instantaneamente revelar. Venho vivendo emoções dignas de um coração verdadeiro e sanguíneo, os meus dias estão cada vez mais brutos de amor e desejo. Fiquei alguns minutos pensando do que escreveria hoje nesse meu quarto virtual de confissões. Podia falar de você e do nosso ciclo de amor intenso que faz meu peito quase transpassar a pele e sair desesperado ao seu encontro, querendo entrar no seu corpo e permanecer nele numa relação sem precedentes de parasitismo sentimental. Podia expulsar também as minhas alegrias em conseguir alcançar sonhos antes projetados no plano do papel branco e que agora sinto que realmente o que faço pode ser chamado de dignidade íntima. Ou desabafar sobre meus conflitos, dúvidas, decepções, mudanças, amigos, tragédias e até comédias. Ou outras infinitas concepções que agora me escapam da mente. Enfim, hoje preferi falar de nada, escolhi não mergulhar em nenhuma dessas minhas profundezas sensíveis de comoção humana. Acho que escrevi o máximo suportável para quem pretendia não se desestruturar intrinsicamente. Preciso ir urgente antes que a sensibilidade me toque com seu dedo invisível e onipotente...

pablo alencar

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Depois de vácuos intervalos...

depois de vácuos intervalos, talvez semanas sem me revelar internamente, retorno eu a me fragmentar. não sei o que de fato me forçou a essa abertura crítica de agora, não tenho aqui comigo, momentaneamente, nenhum motivo latente para fazer essas considerações de alma sentida. o que realmente sinto é algo que pretende ser alegria, ou melhor, é alegria mas crustada de outras nuances sentimentais. é alegria de perdição, de transbordo, de amor arterial, que teima em correr no meu peito singelo. estou feliz por certos motivos, talvez isso tenha ajudado ao meu isolamento a esse meu canto peculiar, esse espaço onde eu costumamente manifestava minhas fraquezas de espírito e pensamento. é como se esse lugar aqui fosse estranho a tudo que desviasse para a certeza, para a felicidade difícil, para as alegrias do meu subjetivismo. mas não. quero também jorrar luz nessa tela negra, quero provar a mim que possuo a ousadia de desmaracar os tormentos íntimos e revelar a sua face suave e bela. todos nós temos, abaixo da casca vermelha e horrenda da perturbação interior uma paisagem de sonhos brancos e deliciosamente sublimes. hoje escrevo não para a minha doce angústia, que a esse momento descansa intocada dentro do meu estômago mental, mas dedico estas letras ao meu cerne de emoção viva, ao meu cais de esperança e nascimento, ao meu fragmento mais devorado chamado amor...

pablo alencar

sábado, 18 de julho de 2009

É com lágrimas nos olhos...

É com lágrimas nos olhos que expulso essas palavras de sangue e solidão. Nessa noite infinita de revelações eu pude sentir o gosto do amor invertido, do amor espremido e sofrido como um corte em uma parte sensível da pele que sangra e lateja mesmo que se tente aliviar o incômodo. Eu percebi o quanto de fragilidade repousa em mim. Na verdade tudo que sinto sempre mergulha fundo no meu núcleo, sempre amo as pessoas como se elas também me quisessem como parte de sua vida. Essa madrugada parece não se extinguir, queria interromper meu choro amargo e voltar ao início da noite e não ter questionado seu estranhamento distante e partido. Devia ter deixado a ausência permanecer e talvez assim não tivesse agora descartando lágrimas de amor e medo. Tenho medo de não mais te sentir no meu espírito emocional, medo de deixar para trás uma verdadeira estrada de sentimentos dificilmente verdadeiros e eternos. Não consigo imaginar você sem pensar em mim ao seu lado, chorando e te beijando, amando e te respeitando. Aceito a sua liberdade explosiva e seu egocentrismo vital. Aceito por que te amo. Te amo e não vejo nada que possa me fazer desistir de você. Definitivamente nada. Nada me empurrará para o buraco do fracasso sentimental. Eu acredito no amor da diferença, no amor pulsante e louco de almas opostas, no amor entre O QUE NÃO HÁ e o que se eterniza em mim. Eu acredito em você. Eu acredito em nós. Sempre. Nada nos quebrará por que queremos ainda nos possuir incondicionalmente. Te amo...

pablo alencar

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ficarei aqui guardado...

Ficarei aqui guardado no meu quarto esperando a chuva se calar. Desejaria poder voar longe e destemido na direção contrária ao vento. Ter a sensação que sou livre e que posso chegar até onde você não me alcance. O som das gotas caindo me desespera por que sei que quanto mais elas se perpetuarem menos chances terei eu de desaparecer. Por que esse clima roubou de mim um dos raros momentos em que sou ar, em que saio da cápsula terra e viajo por horas na velocidade dos meus instantes fugazes? Esse meu quarto me observa desalentado como se soubesse que estou crescendo nele agora por que perdi o meu momento de escape. Adoro este veículo de duas rodas, aberto ao ambiente, simples e veloz. Preciso dessa velocidade ciclística para me deter. Me deter do tédio de não ter elaborado nada de divino nesse dia de inferno branco. Sempre tenho dias de inferno branco. É uma constante em meu ciclo cronológico. Porém, em alguns desses dias eu ainda consigo, no cair da noite, tocar algo de espiritual e compensar essa infernalidade. Mas hoje parece que não. Tudo indica que permanecerei fixo no meu congelamento imposto por essas malditas águas. Águas do equívoco que insistem em reter minha liberdade de deslizar entre pistas e pessoas. Nem ao menos pude vê-lo hoje. Terei que me acostumar também com certos egocentrismos dele, instantes particulares que correspondem unicamente a ele e não a nós. Infelizmente, hoje nem eu mesmo pude me perceber, quanto mais os outros. Nem mesmo eu pude me convidar a escapar...

pablo alencar

terça-feira, 30 de junho de 2009

Começo a perceber...

Começo a perceber nossos desvios de uma outra perspectiva. Acabei sentindo que para mim isso não é realmente terrível, não há nada de maligno em nossa terceira parede. Pensamentos meus me conduzem a uma epifania singular: você é o que eu esperava desde antes, você é o propensor de algo que preciso, ou melhor, desejo ferozmente: me explodir, me desenterrar, me desequilibrar. Você é a fera que fará meu sonâmbulo despertar. Analisando as golpeadas que sofro ao seu combate, vejo que é necessário derramar sangue para te alimentar. A entrada sua em minha vida é perturbadora, mas é viva. Ao seu lado percebo o quanto necessito ser real, o quanto de energia impulsiva eu preciso. É isso, as suas diferenças são para mim um labirinto de libertação, seus gritos de alma são o despertador da minha paralisação. Agradeço a ti por me dar a possibilidade de saber o que é pulsante e atingível dentro desse meu mundo medíocre, dessa minha inércia medíocre, dessas minhas atitudes medíocres. Não quero mais essa fantasia banal que articulo, quero ser o ator do meu próprio espetáculo e você fará o papel de diretor nessa nova peça que desejo encenar. Te amo por você me cortar e me ferver, te amo por você me dissecar, te amo por você me dar os olhos nervosos que faltavam na minha patética calma imbecilmente cega...

pablo alencar

Entre sonhos e sentimentos...

Entre sonhos e sentimentos, eu simplesmente te amo. A cada hora ao seu lado eu perco a minha metade solidão e ressuscito a minha metade emoção. Meus olhos perdidos se encontram na sua confusão e sou levado ao mundo da loucura passional. Eu sei que seus sonhos podem estar inversamente moldados fora do espelho de nós, mas a imagem sua sempre será a mais bela entre as mais impossíveis. Não consigo imaginar meu corpo sem se alimentar das suas mãos, do seu desejo de me prender em suas posses. Ao te beijar eu caio em algo etéreo, é como se você me aniquilasse qualquer limite real e me fizesse descer ao seu lugar, ao seu sentido interno. Parece um pouco perdição esse sentimento, mas talvez seja realmente isso o que quero. Quero me perder em você e te encontrar em nós. Quero simplesmente me amar te amando...

( para J.)

pablo alencar

terça-feira, 16 de junho de 2009

Vinho e perfeição...

Vinho e perfeição, a contradição incomum que se dissolveu em mim. Naquela noite pude sentir o quanto esse líquido sensível me consumiu, me desarmou e me fez expulsar ebulições internas que estavam por se evaporar na minha inconsciência. A primeira taça foi terrivelmente amarga, a segunda foi levemente agressiva, mas a terceira foi excitante, delirante, envolvente. A partir daí, pude perceber a delicadeza dessa bebida doce e discreta, que me conduziu ao estado de flutuação insustentável. A sensação de leveza era de tal força que constatei que, por momentos, eu não estava lá, eu não mais existia naquele apartamento envolto por nuvens de fantasia. Naqueles segundos posteriores, a doçura do vinho se reverteu em um vinagre de angústias e pude experimentar o verdadeiro sabor desse líquido, o sabor da fraqueza emocional, da crueldade do monstro mental. Entre vômitos libertários e lágrimas irracionais, ele estava junto a mim, ouvindo meus delírios e incertezas. Ele estava observando toda a minha delicada estrutura íntima que se encontrava em estado de perfuração, ele viu diante dele alguém desabando em si. Mesmo assim, ele permaneceu comigo e me consertou por alguns instantes, ele limpou com paciência todo o meu lixo orgânico despejado no assoalho da sala e me envolveu com toda a leveza que o vinho não me proporcionou. Realmente, a “perfeição” nunca pode degustar uma gota sequer dessa suave e dissimulada delícia dos homens...

pablo alencar

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Foi incrivelmente mágico...

Foi incrivelmente mágico estar ao seu lado e sentir que eu e você se transfiguramos em nós. Nossa química sensitiva se dissolveu em beijos loucos e abraços protetores. Esses minutos que passamos a observar juntos o reflexo luminoso sobre o rio seco nos deixou a sensação de que somos realmente intrínsecos entre si. A noite foi se fazendo solitária enquanto nós rompíamos o seu silêncio com palavras soltas e flutuantes. Nos sentamos na grama e parecia que o mundo se limitava àquele momento único. Senti algo que não sei bem como expressar, um misto de paz e harmonia embalado com desejos energizantes de impulsividade. O amor tem dessas contraditórias impressões! Nos beijamos profundamente mas nossos olhares se desviavam para os outros, para o medo banal de sermos descobertos pela nossa aventura perigosa de se amar ocultamente. Entre segundos velozes nos deitamos na grama tomados por uma loucura infantil de brincadeiras. Hesitei por instantes aquela situação, achei preocupante me encontrar naquele modo, livre e solto. Tolice minha! Sou estúpido! Que se danem os outros!. Nossa hora chegou ao fim. Nos despedimos daquele local com a sensação de que fomos felizes naquela noite singular. Eu sei que voltaremos lá outro dia qualquer. Eu sei que aquele lugar nos espera desesperadamente. Eu sei... aahhh! Prefiro não saber...

pablo alencar

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Queria me despir...

Queria me despir dessa embalagem embriagada de artificialidades e mergulhar com coragem dentro da minha consciência e extrair as minhas possíveis verdades de vida. Algo me sussurra que meu corpo rejeita essa caricatura implacável que realmente só existe no limiar do meu desespero. É cansativo suportar uma arquitetura externa de rotulações e definições. Eu não sou o que se exterioriza para o universo dos outros, eu sou aquilo que se define quando se consegue ultrapassar a estrutura virtual e entrar dentro do meu círculo pessoal, quando se aprofundam em mim é que se pode saber o que eu sinto de fato, o que eu necessito de todos e o que necessitam de mim para se construir uma intrincada relação. Não sou difícil de ser desfragmentado, basta apenas a sensibilidade viva do contato desmistificado. A desmistificação é o segredo maior para a afinidade, a quebra de obstáculos imaginários permite a construção da real amizade. A minha fragilidade inerente facilmente permitirá a entrada de estranhos dentro do meu habitat desabitado por mim. Não sou nenhuma fortaleza petrificada de empecilhos, sou o que há de mais penetrável e mastigável no terreno da absorção sentimental. Sou simples de se ter, basta apenas a complexidade de querer me compreender...

pablo alencar

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O avesso de nós...

O avesso de nós luta para se desviar das incongruências amorosas. A guerra pela sobrevivência dos sentimentos reais diante da minúscula e agressiva incompatibilidade de seres. Somos dois pássaros perdidos diante do céu grandioso da vida: um em busca do vôo mais poderoso e ambicioso que se possa ter; o outro à procura do ninho mais seguro e consolador onde alguém possa lhe abrigar. A explosão de desejo sentimental é interrompida pela simples limitação de palavras. Falta-nos o substrato comunicativo para se firmar a solidez da paixão gestual. Acusações imaturas são desferidas ao som da música ambiente. Somos incapazes de aceitar o que o outro traz de particular dentro de si. O silêncio molda os nossos momentos de dedicação recíproca e dita as regras das silabas potencialmente reservadas ao nosso mundo externo. Estranhamente nos amamos com o que nos resta de abstrato e prático: beijos e abraços revestidos de afetividade e despidos de contextualidade. O fio que nos une beira ao rompimento instantâneo e cruel, a não ser por um pequeno elemento que esquecemos de remeter: nossa afinidade intima, nossa ligação emotiva que teima em se fazer predadora das nossas voláteis diferenças. Será o amor capaz de transpassar as grades do nosso planeta individual e tocar a face sensível da compreensão? Só o nosso avesso pode nos justificar...

( para J. )

pablo alencar

sábado, 2 de maio de 2009

A estranheza se revelou...

A estranheza se revelou. Sensações vazias de vida caíram sobre mim. Nessa noite deserta de sentimentos a chuva aniquilou a possibilidade de escape. Talvez o clima tenha lá suas místicas fantasias ou apenas eu quisesse que essas águas mortas participassem do meu jogo de solidão e imobilização. Nesses momentos loucos de hibernação íntima tudo que eu desejo é poder afundar esses pensamentos congelantes que só me conduzem a mais paralisação. Por que me desviei de todos e preferi estar com o meu onipresente inimigo interno? Preferiria que ele sucumbisse junto com a minha estupidez em querer invocá-lo. Nesses segundos noturnos de isolamento sinto a sua falta, queria estar canalizando meu universo particular para a nossa relação afetiva. Se me deixarem solto na imensidão da noite acabo por me perder dentro dessa esfera impulsiva de me dissecar internamente. Sou estranho, tenho consciência dessa minha indefinição de vida. Mesmo com todos os elementos de alegria e amor que tenho desfrutado ao lado de meus amigos e de minha relação amorosa ainda tendo a desesperar-me com a inutilidade de emergir a suposta revelação do vazio intrínseco ao ser. Coisas de um desocupado alucinante buscando cavar buracos intermináveis da sensibilidade humana. Estou a partir. Terminarei minha madrugada insólita assim como a iniciei: na lucidez inconstante da minha descartável loucura...

pablo alencar

sábado, 25 de abril de 2009

O GRANDE ABISMO...

O grande abismo sufocante que nos aprisiona parece querer nos destruir. Nossos olhares perdidos denunciam nosso sentimento, nosso corpo pede contato enquanto o mundo perfeito nos repele violentamente. Sinto uma sensação mortal de beijar seus lábios, mas a barreira ilusória do proibido quebra o desejo puro e sincero do nosso estranho amor. Você me revela que eu posso ser feliz e livre mesmo dentro dessa contradição fictícia, me abraça e me acalma mesmo que por alguns segundos raros de liberdade que conseguimos roubar da vida real, brutal e desigual. Diante desse caos íntimo, minhas mãos trêmulas não sabem se tocam o seu rosto ou se simplesmente acenam de maneira fria e criptografada para que ninguém perceba o nosso terrível erro de sermos assim. Nos julgam culpados de um crime incompreensível de se ter, nos condenam ao desprezo corrosivo da indiferença e da solidão. Caminhamos lado a lado nas ruas da cidade como se fôssemos estranhos entre si, nossos passos programados não permitem que a distância padrão da afetividade seja rompida. Estou cansado dessa alucinação doentia que nos degrada. Quero te sentir na mais completa totalidade do amor incondicional. Quero abrir a minha anatomia emocional sedenta de liberdade e explodir todo o meu furor diante da cegueira hipócrita e repulsiva da gloriosa (im)perfeição humana...

( para J. )

pablo alencar

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Alguma força me reconduziu...

Alguma força me reconduziu a esse cubículo de letras e pensamentos. Resisti por semanas a colocar meus devaneios e pequenas insanidades guardadas nesse depósito que mais tende a um verdadeiro porão de loucuras, pois no porão se joga aquilo que nos parece momentaneamente inútil, mas que bruscamente se fazem necessários diante de urgências. Temos medo de descer ao porão, de sucumbir ao esquecido, ao desprezado, ao que nos parece delicadamente assustador. Mas estou eu retornando a esse ciclo que me parecia sepultado por minha fraqueza em escrever a mim. Será que tudo ao qual me dediquei supostamente fugiram do meu controle? Me roubaram algo inspirador? Não. Simplesmente meus inimigos se dissolveram na minha ingênua alegria, meus conflitos continuam vivos e dedicados a mim, porém se fazem agora confundidos com meus súbitos choques de felicidade e amor. Estou feliz por mim que vive esses momentos doces e leves, mas estou triste por você que escreve essas fragmentações da alma tão banais e desnecessárias a um espírito tão frágil como o nosso. Eu e você, realidade e ilusão, se compõem num único ser, mas separados pela divisória entre a complexa sensação de prazer e alegria e a melancólica arte de se fazer infeliz. Retornei. Sobreviverei. Amarei. Jamais te abandonarei...

pablo alencar

sábado, 10 de janeiro de 2009

somos imparalelos...

somos imparalelos. somos algo que não se dissolve,não se entrelaça. terra e ar,fogo e água,noite e dia. a mistura explosiva que desencandeia mesmo sem se unir. lutamos contra as nossas corrosivas diferenças pensando serem elas apenas um estágio de nossa evolução sentimental. erramos. queríamos quebrar a parede do egoísmo e sucumbir ao desejo comum. não conseguimos. a harmonia nos escapava,vivíamos em um completo desequilíbrio amoroso. você transbordava amor,eu expelia receio. você se julgava dono,eu me sentia estranho. você me alimentava,eu te descartava. estávamos em direções emocionalmente opostas,em sentidos sentimentalmente imiscíveis. nunca se encontraria qualquer ponto que nos centralizasse. o amor não resiste ao avesso extremo,ele exige um mínimo de unicidade,uma gota qualquer de reciprocidade. a nossa profunda incompatibilidade de alma,de pensamento,nos impossibilitou de seguirmos juntos. tivemos que nos desfazer de qualquer raiz parasitária que nos prendia um ao outro. estamos livres,porém perdidos. perdidos dentro do nosso organismo desestruturado,dos nossos sentimentos fragmentados,deixados pela batalha árdua de querermos amar o proibido, o invencível, o impenetrável...

pablo alencar

escrever é algo louco...

escrever é algo louco.parece uma tormenta de pensamentos conduzidos por um furacão de impulsos e desejos. às vezes penso:escrever para quê? ou melhor:por que? ou profundamente:para quem? não sei o que me conduz a colocar palavras soltas,muitas sem lógica ou razão,em um papel que se encontrava nulo.talvez esteja aí um motivo! o papel!!! o papel nulo!!! talvez não quisesse que permanecesse mais vazio,solitário,sem função alguma. o papel estava lá,esperando alguém desvirtuá-lo e tirar-lhe a pureza,a brancura,a paz,e o transformar num aglomerado de fragmentos estranhos a ele.talvez esteja aí um real motivo de escrever:um simples papel. muitos devem pensar que isso é algo absurdo e por demais digno de desprezo. outros acharão que estou em delírio insano ou que não estou saudável para com as minhas faculdades mentais. pois digo a você, leitor: não,não se trata de banalidade ou alucinação. se trata do simples fato de que não escreveríamos se não tivéssemos algo pronto para nos receber, algo virgem e intocável para podermos desconfigurá-lo. o papel em branco nos oferece tudo que precisamos: a ausência. é dessa ausência que se faz a presença, que se constrói a vida em palavras, que se desestrutura os sentimentos e se molda fragmentos. agradeço ao papel em branco,nulo ou vazio a chance de poder esboçar uns traços dos meus devaneios e perturbações...

pablo alencar

domingo, 4 de janeiro de 2009

a noite me fascina...

a noite me fascina. a escuridão que se faz viva me torna desnorteado.o mistério noturno se entrelaça ao meu pensamento solto e me envolve numa atmosfera de clímax. me deixo levar pela loucura que se desencadeia.quero mergulhar,sentir,voar,transbordar todos os extasiados segundos que a noite me oferece.ela me alimenta e me toma como seu.permito que ela me escravize.afinal é através dela que eu pulso.sinto energia quando a noite surge.sinto emoção ao vê-la se tornar deusa.deusa dos loucos,dos indefinidos,dos incontroláveis,dos solitários,dos ilimitados.amo-te noite,com toda a glória e a eternidade que tu me contemplas...

pablo alencar

estou preparado para o ...

estou preparado para o renascimento.já sinto a febre louca da mudança.preciso dessa nova injeção para continuar a seguir.preciso me desconfigurar dessa minha atual conjuntura plástica que me sufoca,me prende,me retrocede, e iniciar um novo ciclo de vida ao qual nunca realmente fiz parte. sempre estive em volta do ciclo,mas nunca pertenci a nenhum momento seu,nunca entrei na roda viva.fui durante todos esses tempos um periférico,que olha a vida sem nem sequer tocá-la, quanto mais penetrá-la. é estranho pensar que alguém com 20 e poucos anos nunca tenha tocado a vida. pois é,ela não é tão fácil assim de se captar.ela sopra como a um vento que não tem direção,ela se volatiliza como a um gás raro e inerte,ela se torna subterrânea nos mais profundos solos,ela mergulha na imensidão do ser humano.coitado de mim que tento agarrar esse algo tão ''insegurável''. mas agora quero senti-la pelo menos nas suas fronteiras,no seu limiar.quero tentar me aproximar dela,aos poucos,sorrateiro e cauteloso,atento e delicado.quero pelo menos tocá-la nos lábios,sentir sua pele,seu cheiro.depois,se ela permitir,quero possuí-la e tomá-la como minha. oh,vida,serás capaz de me dar um pouco de ti,uma pequena parte desse teu conjunto infinito e inimaginado?...

pablo alencar

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

mais um dia inútil...

mais um dia inútil.mais um dia vazio,sem sentimentos ou emoções.começou inerte,seguiu-se instável e finalizou-se na mais completa agonia.desesperei-me em alguns momentos,em outros simplesmente paralisei.fiquei a observar estagnado o esvair das horas,os segundos iam-se e eu permanecia estático dentro do meu próprio ciclo de pensamentos delirantes...

pablo alencar

preciso dormir...

preciso dormir.preciso entrar no universo no qual me sinto livre,pois nele não penso,apenas durmo,apenas sonho,apenas morro por algumas horas para depois voltar à minha prisão de conflitos e incertezas...

pablo alencar

será que é possível ser...

será que é possível ser feliz se escondendo dentro de farsas e equívocos? será que se pode viver sendo um outro,gerado pela obra das circunstâncias massacrantes e dos preconceitos ditatoriais? é terrível não poder se expressar,não poder expor a sua verdadeira existência de agir e pensar.eu sofro em muitos momentos quando me vejo forçado a agir em razão de outros,quando construo um indivíduo moldado de disfarces e de facetas hipócritas.é como se colocassem em mim uma veste de ferro bruto,me impedindo de respirar e de se mover por vontade própria. é duro ter que aguentar tamanho peso sobre a minha desconstruída arquitetura interior.às vezes penso em explodir toda essa deprimente e sofrida ilusão que envolve minha alma e sair pelo mundo feito um alucinado,expulsando toda a minha essência presa por limitações insólitas e imbecis.eu me destruo por dentro a cada vez que uma mentira me domina,a cada falsa palavra que emana dos meus lábios,a cada gesto forçadamente errado que tenho que realizar.quando me libertarei dessa corrente poderosa que aprisiona meus desejos,minhas atitudes,e rouba das minhas fracas mãos a felicidade indispensável ao meu ser,parasitando a minha liberdade louca para ser vivida?...

pablo alencar

sábado, 27 de dezembro de 2008

por que ainda espero...

por que ainda espero ter-te em mim se eu mesmo me encontro solto,perdido nos meus instantâneos momentos de desespero? eu quero em você algo que em mim não sobrevive:a estabilidade.não consigo me segurar em nenhuma pedra,vou sendo guiado pelas correntezas da insanidade,do desejo imediato e inconsequente.queria ao menos que você despertasse em mim a vontade de se estabelecer,de construir algo sólido dentro do meu edifício em desconstrução.parece que estamos em paralelas opostas,em dimensões conflitantes.você não compreende a minha urgência em amar e eu não aceito o seu desligamento sentimental.começo a perceber que a nossa incompatibilidade íntima se sobrepõe ao nosso desejo de ficarmos lado a lado,encarando as nossas diferenças como um desafio altamente perigoso a nós.somos egoístas.queremos que cada um se sinta o mais bem possível,não importando a agonia massacrante do outro.penso em desistir,em jogar tudo para a prisão da insegurança.mas não posso.tenho prazer em sugar o mínimo de emoção dos sentimentos precários e desinteressados.até quando você me der essa pequena quantidade de alimento sentimental,eu irei te seguindo,acompanhando os teus desencontros e esquecimentos.até quando eu tiver uma gota de esperança,mesmo que amarga e ácida,eu sucumbirei às tuas mais estranhas atitudes de quase-amor...

pablo alencar

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

OLHARES PERDIDOS

olhei para meus cabelos,tão mortos
quanto sombras perdidas no cair da noite.
olhei para meus olhos,tão tristes
que pareciam derramar sangue e desespero.
olhei para minha boca,tão cansada
de expulsar palavras inúteis e secas.
olhei para minhas mãos,tão vazias
que se fechavam no espaço do egoísmo.
olhei para meus pés,tão sofridos
de caminhar pelo abismo da solidão.
olhei para meu coração e nada consegui ver.
nada tinha dentro dele.meu Deus,
o que fizeram com o meu coração?
arrancaram-lhe os sentimentos,
extraíram de suas células todo o seu prazer,
toda a sua dor,toda a sua emoção.
olhei para minha alma.está em pedaços.
pedaços jogados na dimensão das incertezas,
na infinita corrente das ilusões e
dos sonhos escravizados.
chorei diante de tamanho caos.
o que me resta é olhar para o mar,
olhar para a lua,olhar para o vento.
o que me resta é olhar para além do
horizonte dos meus medos e desejos.

pablo alencar

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

o amor não é perfeito...

o amor não é perfeito,pois o amor é um sentimento humano,e sendo humano o amor tem seu lado perverso,cruel,insano.eu sei que dizem que o amor é um sentimento puro,divino e isento de qualquer mal,mas isso é pura fantasia.fantasia criada pelos homens para mascarar a multiplicidade do amor.se esse sentimento é vivido por seres humanos,como podemos defini-lo como perfeito? o amor não é só carinho,respeito e sinceridade; é loucura,desespero,mágoa,tapas e gritos.o amor é,acima de tudo,viver a emoção.emoção de qualquer espécie,de qualquer sentido.o importante no ato de amar é sentir tudo na sua mais completa totalidade de existência.é chorar o quanto se deve chorar,é gritar até o seu coração pedir,é enlouquecer a mente no seu limite,é se desesperar quando existe desespero.não se pode compactar e purificar o amor,ele precisa liberar toda a sua energia,todo o seu prazeroso e doloroso estado de vida.se você nunca sentiu raiva,nunca sentiu vontade de explodir sua fúria,nunca derramou lágrimas desesperadas,nunca gritou de dor e solidão,certamente desconhece o amor.o amor é muito mais do que um sentimento, é a projeção das virtudes e dos defeitos dos humanos na sua essência mais íntima e verdadeira de se ver...

pablo alencar

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

em momentos de solidão...

em momentos de solidão encontramos a nossa face bruta,ficamos cara a cara com o mais danoso e esmagador inimigo:a intimidade particular.ela se instala no comando mental e faz emergir mazelas que antes se achavam esquecidas no vazio íntimo.eu sinto medo de estar ao seu lado,procuro evitá-la usando todos os mecanismos possíveis,mas em certas horas essa predadora silenciosa se faz vencedora em mim.não adianta lutar.só me resta abraçá-la e convidá-la a um passeio tortuoso através da minha consciência(ou subconsciência,talvez). eu sei que nesse momento em que escrevo ela lateja no meu organismo e, como numa relação de mutualismo,ela me alimenta com sua força e em troca solto-lhe algumas palavras para lhe satisfazer o prazer...

pablo alencar

é difícil ver o tempo...

é difícil ver o tempo passar inútil.eu não aguento o vazio depressivo que extrapola os meus momentos.é algo que parece querer me sufocar de tanta angústia e decepção.decepção nascida de minhas próprias entranhas,vinda da incapacidade de vencer os anseios tortuantes da minha mente diminuta.estou ficando impaciente com meus próprios atos.tudo que tenho feito tem me trazido respostas frustantes e só tem me deixado mais caótico e perdido.é complicado o fato de se existir e de se buscar o seu sentido dentro dessa existência.não conheço o organismo da vida,só o que percebo à minha volta são os fantasmas da insegurança e da covardia.o nada me domina a cada segundo.é humilhante ver a vida caminhar e você ficar paralisado diante de tanta emoção a ser apreciada.muitas vezes me vejo sem reação,fico estagnado de reflexões invasivas e inferiores que ferem meu íntimo,consumindo minha energia precária mas suficiente para sobreviver.eu queria poder entrar no mais profundo abismo dos pensamentos meus e saber o que se esconde atrás da minha aparência solitária e oca.uma aparência podre e infestada pela maldição da vaidade,uma doença que me destrói a cada roupa que uso,a cada espelho que vejo,a cada pessoa que desprezo.sinto muito por mim.tenho pena do meu ser,tão fraco perante as raízes predatórias da vaidade,raízes que se multiplicam dentro de um corpo inconsciente e alienado,jogado no mundo das futilidades!...

pablo alencar

às vezes penso se...

às vezes penso se sou realmente humano,se sou digno de conviver com outros indivíduos.existem momentos que eu me vejo totalmente fora dessa esfera de vida.tento encontrar aquilo que me abriga,que me faz viver e não encontro nada que possa ser meu.parece que tudo e todos estão fora do lugar,estão jogados no imenso território dos desencontros.mas na realidade quem está desnorteado sou eu,sou eu que me encontro no vácuo,solto entre anjos e demônios.será que isso que eu tenho dentro de mim é realmente vida ? ou é algo que imita a vida,algo estranho e sem lógica,algo confuso e angustiante,algo louco e indescritível? ou a vida seria todas essas definições formando uma só estrutura? respostas essas que não existem no limite da minha sobrevivência.entender o que se passa em mim é uma missão cansativa e terrivelmente complexa.essa minha complexidade é que me priva da simplicidade de viver.viver é tão simples para as pessoas simples.mas para mim viver ainda é uma incógnita,um quebra-cabeça cujas peças são irreais para serem encaixadas.necessito urgentemente decifrar esse enigma,se é que existe uma conclusão.não posso mais deixar os segundos se partirem solitários,melancólicos e opacos.preciso absorver todo o alimento que o universo me oferece.estou faminto por emoções,sentimentos,loucuras,aventuras,desejos.tenho fome de amor.tenho fome de vida...

pablo alencar

A TRÁGICA ARTE DE AMAR (A OUTRA FACE DO AMOR)

amar é entrar no campo da ilusão sangrenta,
é perder a sensibilidade real e viajar no fantasioso caminho do desespero e da abstração.
amar é poder sofrer querendo estar sofrendo,
é envolver-se nas correntes da escravidão insana e tirana,
é cair num abismo repleto de lágrimas e sangue.
amar é sentir a loucura enlouquecendo os pensamentos,
é viver sugando emoções doentias,
é dar de cara com os medos e as dúvidas.
amar é abraçar-se com o inesperado e com o indefinível,
é mergulhar no mar de imperfeições e contradições,
é dormir ao lado do seu maior inimigo íntimo.
amar é poder beijar a solidão,
é se entregar aos deuses do apocalipse,
é voar no universo das perdas e danos.
amar é compartilhar as alegrias com a dor,
é dar adoração e receber submissão,
é consumir-se por dentro e degenerar-se por fora.
amar é morrer quando ainda se está em vida.

pablo alencar

perdoai,Deus...

perdoai, Deus, por todos os males que causo a aqueles que pensam em me amar,aqueles que me desejam como amigo ou algo humano de convivência.cometo erros que brotam do meu egoísmo e da minha insana egocentria.não posso querer solidez nas pessoas se eu próprio sou puro líquido instável e ínsipido.meu Deus,por que será que algo em mim parece semi-morto,inútil,desprezível? se apossa das minhas veias e explode em atitudes vazias de amor...ah,se eu pudesse retornar ao estado primitivo de origem e reconstruir toda a minha desconstruída arquitetura íntima,colocando nela todos os elementos vitais que evaporaram de mim em todos esses anos...eu preciso...perdoa-me,Deus...

pablo alencar

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

mais uma perda...

mais uma perda.mais uma ilusão evaporada.devia saber que o fim se revelaria abruptamente.não me surpreendo.não me sensibilizo.não possuo mais poderes para esperar verdades de outros.não posso querer amor se não tenho habitat para o seu sustento.continuarei à deriva,como sempre fui.navegarei por outros mares,repousarei em algumas ilhas,naufragarei em muitos abismos,mas não conseguirei despejar em ninguém a minha solidão...

pablo alencar

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

estou cansado...

estou cansado.não sei se durmo ou escrevo.talvez sejam a mesma coisa,pois quando escrevo sinto-me no mundo dos sonhos,no pensamento sonífero da minha alma,no mais labirinto dos meus pesadelos.e quando durmo percebo que escrever é uma banalidade que tem por fim simples palavras que não alimentam e nem sustentam o organismo humano.palavras são meros jatos de vômito, que depois de expelidas não tem função alguma senão mostrar o que estava instável e desequilibrado na intimidade visceral...

pablo alencar

não sei porque...

não sei porque estou a escrever palavras inúteis se sei que colocá-las em um papel não me trazem o que procuro: o encontro com o meu íntimo.talvez porque soltá-las em alguém não seria compreensível para mim, e deixá-las sem se revelar seria tornar solitária a existência desses minúsculos organismos gramaticais...

pablo alencar

NÃO SOU EU

não.não sou isso que vejo.
não sou aquilo que querem.
não sou ele que se imagina e
nem aquele que se vive.
sou o que se erra,o que se deseja,o que se esconde.
não sou eu que fala,que ama,que dorme.
eu sou o outro que se procura dentro do eu
que se perde no infinito da inconstância.
esse outro que quer ser eu
e esse eu querendo ser outro.
são tantos eus e tantos outros
que de tanto se encontrar
já se formam em um par.
na verdade já nem sei
se quem escreve sou eu ou o outro
que insiste em me guiar
mesmo sabendo que eu
já não posso mais me aceitar.

pablo alencar

DESCONFIGURAÇÃO

meu corpo cansou de tanta mutação
minha alma gritou de tanta solidão
meu coração chorou por não ter emoção
meu ser está repleto de contradição
eu já não vivo pois sou uma ilusão
sou uma loucura humana sem conclusão.

pablo alencar

MULTIPLICIDADE

Eu sou muitos
dentro de um único.
Um único que,
por ter tantos,
não é ninguém.
Um ninguém que,
às vezes, é tudo.
Um tudo que,
quase sempre,
é o nada.

pablo alencar

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

ESPELHOS MEUS

Evitar espelhos tem sido uma constante em minha vida.Mas falo aqui de espelhos interiores que se exteriorizam em objetos de reflexão...

espelhos,símbolos de prazer e dor
trazem a glorificação para os narcisistas,
a depredação para os desfavorecidos e
a incerteza para os perdidos.

espelhos,meros seres inanimados
que constroem a faceta emoldurada
atenuam os traços da sensibilidade
e determinam a identidade adulterada.

espelhos,inimigos do surreal
adoradores da beleza e da vaidade
delimitam de forma nua e crua
as aberrações da delicada realidade.

espelhos,senhores das fraquezas
escravizam inconscientemente seus servos
fazem dos mais fantasiosos sonhos
os mais terríveis pesadelos.

espelhos,espelhos meus,
existe alguém mais perdido do que eu?

pablo alencar

AMOR-HORROR

O amor diante de mim representa um horror,
uma agonia sufocante que aprisiona meus desejos.
Buscar o amor é procurar um abrigo sem ar,
um esconderijo dentro dos mais obscuros corredores da vida.
O amor exige submissão,controle,obediência,
limites,dedicação.
Enfim,amar é a forma mais humana e
corrosiva de escravizar os sentimentos,
é a maneira mais sutil de degenerar os prazeres da
liberdade.

pablo alencar

ESTRANHO SER

perdido entre medos e desejos
me atiro no abismo do desespero
e rastejo diante de um solo frio e seco.

a angústia me domina e
a dúvida toma parte do meu ser
como se incorporasse uma
espiritualidade peculiar ao íntimo.

já não vivo a mim
e sim a um estranho ser que
apenas observa paralisado o
degradar das horas mortas e vazias.

o sofrimento perdeu-se diante
de tamanha covardia. o indefínivel
achou-se entre a vida e
a ilusão de viver.

minha alegria é uma farsa.
uma prisão de sonhos inertes numa
atmosfera de loucura.
o sorriso é apenas um preparo
para o explodir de lágrimas desesperadas.

pablo alencar

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

ALGOS E OUTROS

Algo em mim grita e se espanta
Outro algo chora e se desfalece
Algo em mim se glorifica e se eterniza
Outro algo se afoga e se entristece
Algo em mim é belo e mágico
Outro algo é monstruoso e trágico
Algo em mim é puro mistério
Outro algo é simplesmente tédio
Algo em mim é infinito e inacessível
Outro algo é codificadamente indefinível
Por que tantos algos e tantos outros?
Se necessito apenas de um
Talvez porque eu verdadeiramente seja
A multiplicidade de um ser nenhum.

pablo alencar